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Sebrae/PR investe na formação de executivos de Indicações Geográficas

O Paraná vem se destacando nacionalmente no quesito de territórios com Indicações Geográficas (IG), regiões conhecidas pela tradição e notoriedade de seus produtos ou serviços.

Conceito bem difundido em países como Portugal, França e Itália, as indicações geográficas foram estabelecidas no Brasil pela Lei da Propriedade Industrial, e concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O órgão é responsável por estabelecer as condições para esse tipo de registro e por atestar o reconhecimento oficial de uma região.

Na última semana, de 1º a 3 de agosto, 18 produtores e técnicos participaram do primeiro Módulo da Formação de Executivos de IGs do Paraná. Um modelo inédito e exclusivo de formação, desenvolvido pelo Sebrae/PR em parceria com o Sebrae Nacional. Em quatro etapas, a capacitação durará cerca de dois anos, com uma didática que abordará os principais temas e desafios de uma gestão de indicação geográfica.

“O objetivo é auxiliar estas pessoas, que estão no dia a dia das associações, atuando junto aos produtores, a verificar se todos estão atuando de forma organizada, ou seja, seguindo os processos, normas, padrões e mecanismos de controle estabelecidos, se aderem a uma mesma política de preços, se a documentação está em ordem e se atuam estrategicamente conforme a orientação planejada”, explica a coordenadora estadual de agronegócio do Sebrae no Paraná, consultora Andréia Claudino.

Ela diz que o reconhecimento é um legado para o território. “Essa formação também promoverá a sucessão familiar pelo senso de responsabilidade em se manter a tradição”, garante a consultora. Outro ponto é diferenciar esses produtos dos convencionais do mercado, garantindo a eles o status de um patrimônio de determinada região e, consequentemente, aumentando o valor agregado e a valorização no mercado.

Os mentores dos cursos foram o capixaba Anselmo Buss Júnior e Fabrício Welge, do Rio de Janeiro, consultores credenciados do Sebrae com ampla experiência em processos de reconhecimento de indicações geográficas. Eles abordam questões ligadas tanto à legislação quanto a informações de cultivo dos produtos, conceitos e estratégias de gestão, aspectos de controle, direitos e deveres ligados às indicações geográficas.

“O Brasil tem 54 indicações geográficas reconhecidas pelo INPI, sendo que boa parte passou por formação conosco. Então temos experiências para dividir com este grupo e para ajudá-los a alinhar suas próprias estratégias, repassar conceitos, rever itens de proteção e até aprender mais com eles”, resumiu Buss Júnior.

Welge comentou que este primeiro módulo, que trata de Terminologia e Estruturação, já deve trazer novos insights aos executivos em relação ao uso da ferramenta. “Esperamos que já a partir do final desta primeira fase o grupo consiga extrair informações para aproveitar melhor os benefícios que uma indicação geográfica pode  garantir a um produto ou serviço”, afirmou.

Ele destacou ainda que o formato inédito sai na frente de outros estados por já incluir normas técnicas da ABNT para as IGs, fator que vai fazer muita diferença na formação destes executivos. “Capacitar pessoas já utilizando normas técnicas é fundamental nos processos. Acredito que será um diferencial competitivo para esses produtores”, enfatizou.

Por fim, os consultores perceberam uma boa receptividade dos participantes. “Trocamos experiências com um grupo interessado em saber mais da ferramenta, em descobrir as vantagens e oportunidades que terão pela frente e, principalmente, houve uma grande integração entre eles, o que pode dar origem a um grupo estadual que vai se relacionar e aprender junto os conceitos repassados aqui”, concluiu Buss Júnior.

O presidente da Associação dos Amigos da Erva-Mate de São Mateus do Sul, Ronaldo Toppel, disse que além de todo o conhecimento, percebeu muita união no grupo. “A formação é importante para sermos mais assertivos nos processos. A troca entre os integrantes de cada região permite que aprendamos uns com os outros e contribui para não repetirmos erros. Foi um grande aprendizado teórico e prático”, definiu.

Atualmente, São Mateus do Sul é o maior produtor nacional de erva-mate, sendo os maiores consumidores os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso, este utilizando o produto no preparo do tererê, bebida servida fria. Cerca de 90% da produção é para o chimarrão, e outros 10%, no preparo do chá mate e demais produtos. A erva-mate de São Mateus, inclusive, já conquistou a IG.

Rafaela Takasaki Corrêa, das Balas de Banana de Antonina, há 38 anos no mercado, disse que o treinamento esclareceu como poderão usar o reconhecimento como benefício. “Estávamos apreensivos em não saber como tirar proveito do registro. Vimos cases de sucesso e pontos positivos e negativos que nos ajudarão a nos posicionarmos no mercado após a conquista do registro de IG. Acredito que isso ajudará a garantir a qualidade do nosso produto, alavancar as vendas e dar visibilidade à nossa região”.

Segundo a empreendedora, isso se reverterá em fomento do turismo, geração de emprego e renda e melhoria da qualidade de vida das pessoas. “Hoje, 90% da produção é consumida em Curitiba e Região Metropolitana e o restante fica no litoral e em menor escala em outros estados do país”, informou.

Representante da Apomel de Ortigueira, Rafael Alves, também já reconhecido como Indicação Geográfica, aprovou o formato deste primeiro módulo. “Tudo isso é muito novo para os produtores da minha região, que não têm um entendimento claro a respeito do assunto. O nosso desafio será esclarecer e disseminar os conceitos e processos para os demais associados”, completou.

Ele contou ainda que a expectativa é que até o fim deste ano eles consigam organizar a cooperativa para começar a comercializar o mel local já com denominação de origem. “O objetivo é agregarmos valor ao nosso produto, nos diferenciarmos dos demais e até explorarmos outros mercados”, finalizou.


Fonte: Sebrae/PR