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MPEs criam 95% dos empregos no País; Fieg defende olhar diferenciado para o segmento

Jaime Canedo, presidente do Compem/Fieg: “As micros e pequenas empresas convivem com muita burocracia”

Resultados do Caged de julho mostra mais uma vez a força das micro e pequenas empresas e o potencial do segmento para reverter a crise do desemprego no País.

Do total de 43,8 mil empregos formais criados em todo o País no mês de julho, os pequenos negócios responderam por nada menos do que 95%, ou cerca de 41,5 mil vagas com carteira assinada, segundo levantamento feito pelo Sebrae, baseado em dados do Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. No acumulado dos sete primeiros meses de 2019, as micro e pequenas abriram 437,6 mil vagas, 2,4% acima do registrado pelo setor no mesmo período de 2018.

O total de vagas abertas pelos pequenos negócios é 50 vezes maior que o saldo de empregos gerados pelas médias e grandes empresas neste ano. No mês de julho, puxaram esse saldo positivo os pequenos negócios do setor de serviços, com 20 mil postos de trabalho, tendo destaque o ramo imobiliário (15,2 mil). Em seguida, vêm as MPEs da construção civil, com a geração de 14 mil novas vagas.

No acumulado de janeiro a julho deste ano, igualmente os pequenos negócios do setor de serviços mantêm-se no pódio, responsáveis pela criação de 273,1 mil novos postos de trabalho, 62,4% do total de postos criados por esse nicho de empresas no período. Na contramão, as MPEs ligadas ao comércio continuam registrando saldo negativo de emprego, com o fechamento de 44,1 mil vagas, o que significa que mais demitiram do que contrataram nos primeiros sete meses de 2019.

Regionalmente, Centro-Oeste assumiu a segunda posição no ranking regional, com a geração de 6,7 mil vagas, atrás do Sudeste, que registrou o maior volume de postos de trabalho no mês passado no País, com mais de 20 mil novas contratações.

FORÇA PARA REVERTER DESEMPREGO – Analisando o desempenho das MPEs em julho, o presidente do Conselho Temático de Micro e Pequena Empresa da Fieg (Compem), Jaime Canedo, ressalta o papel do segmento para reverter a crise do desemprego no País, que persiste na casa dos dois dígitos, desde que passe a ser visto pelo governo sob “olhar diferenciado”, fundamentado na importância representada na geração de emprego e renda. 

“As micro e pequenas empresas constituem a ponte ideal para a retomada de emprego e renda”, ele diz, explicando: “Uma pequena empresa no regime do Simples, ou até mesmo o microempreendedor individual (MEI), com pouco investimento, ao contrário das grandes, gera emprego e renda de imediato. O micro empreendedor individual pode contratar uma pessoa e faturar R$ 81 mil/ano com baixo investimento.” Canedo reclama que outras empresas, no Regime do Simples Nacional, têm sido vistas, pela Receita Federal, como empresa que possuem regime incentivado, do que ele discorda. “Isso não é verdade! O Simples Nacional é um regime tributário, assim como as empresas, podem optar pelo regime de Lucro Real ou Lucro Presumido.”

Na prática, acrescenta o presidente do Compem/Fieg, as micros e pequenas empresas convivem com muita burocracia, o que a MP 881, Medida Provisória da Liberdade Econômica, pretende diminuir com segurança. Como a MP 881 transferiu aos Estados e municípios sua regulamentação, o assunto já está no radar do Compem/Fieg, que está sugerindo a deputados estaduais de Goiás minuta de projeto de lei para promover a desburocratização.

A opinião é compartilhada pelo presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, ao comentar os números de julho. “Mais uma vez os pequenos negócios mostram que o segmento é uma alavanca da economia do País, ressaltando, dessa forma, a importância que tem na geração de empregos e renda”, afirmou. “É mais um motivo para investirmos na melhoria do ambiente de negócios do setor, diminuindo a burocracia e incentivando a competitividade e a produtividade das micro e pequenas empresas”, acrescenta.