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Grupo passa a se reunir quinzenalmente para discutir condições de operação

Devido ao agravamento da situação hidrometeorológica e de armazenamento de água da bacia hidrográfica do rio Tocantins, causado pelas chuvas e vazões abaixo da média desde 2015, a Agência Nacional de Águas (ANA) realizou a primeira Reunião da Sala de Crise do Rio Tocantins nesta quinta-feira, 17 de agosto. Estas reuniões serão quinzenais e acontecem para debater as condições de operação dos reservatórios da calha do rio, como Serra da Mesa (GO) e Tucuruí (PA), com o intuito de preservar os estoques de água da bacia e garantir a continuidade do atendimento aos usos múltiplos do recurso. Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Hqkly15plEI&feature=youtu.be.

 

Este grupo de instituições, que trabalhará como sala de crise para a bacia do Tocantins, realizará o acompanhamento sistemático dos impactos da seca e buscará conjuntamente soluções e medidas para minimizar os efeitos da crise hídrica. O mesmo vem acontecendo na bacia do rio São Francisco, que passa por seca desde 2012 e que tem reuniões semanais às segundas-feiras, na sede da ANA e por videoconferência, para avaliação das condições de operação futuras de seus reservatórios.

 

Os vídeos das reuniões serão disponibilizados no site da ANA. Na página a Agência já divulga um boletim diário de monitoramento da bacia do rio Tocantins, que pode ser acessado em: http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/v2/boletinsdiarios.aspx. Em 17 de agosto, por exemplo, o reservatório equivalente do rio Tocantins estava com 38.892hm³ ou 38,892 trilhões de litros (46,99%) de seu volume útil acumulado. Este reservatório equivalente é composto dos lagos das hidrelétricas de Serra da Mesa (GO), Peixe Angical (TO) e Tucuruí (PA). Para visualizar os volumes dos três reservatórios separadamente e com dados dos anos anteriores, acesse o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR), da ANA.

 

Além das três usinas com reservatório, o rio Tocantins tem usinas a fio d’água (a mesma vazão de água que entra, sai). São elas: Cana Brava (GO), São Salvador (TO), Lajeado (TO) e Estreito (TO/MA).

 

Nestas reuniões participam representantes da ANA, dos órgãos gestores de recursos hídricos dos estados da bacia do rio Tocantins, dos principais setores usuários de água da região (como o industrial, de saneamento e de irrigação), do setor elétrico (Ministério de Minas e Energia e Operador Nacional do Sistema Elétrico), do setor de navegação (Ministério dos Transportes, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Agência Nacional de Transportes Aquaviários), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério da Integração Nacional, do Ministério Público, entre outras instituições. Nesta primeira reunião também participou o deputado federal Deoclides Macedo, do Maranhão.

 

Vazões e chuvas abaixo da média

 

Desde 2015, a bacia do rio Tocantins vem registrando chuvas e vazões abaixo da média. Em função das baixas precipitações, o biênio 2015/2016 foi o de menores vazões no rio Tocantins já registradas em 86 anos de monitoramento. No último período úmido (chuvoso) da bacia, entre outubro de 2016 e abril de 2017, as vazões do rio Tocantins foram as menores já verificadas de todo o histórico.

 

O déficit hídrico na região vem se acumulado em 2017, uma vez que as chuvas têm ficado consideravelmente abaixo da média esperada. Entre outubro de 2016 e agosto de 2017 (dados até o último dia 15), foi registrada somente 47% da média esperada o período. No curto prazo, não são esperadas precipitações com volumes significativos, situação considerada normal para o mês de agosto, que historicamente apresenta poucas chuvas.

 

Rio Tocantins

 

Com aproximadamente 2400km de extensão, o rio Tocantins é o segundo maior curso d’água 100% brasileiro, ficando atrás somente dos cerca de 2800km do rio São Francisco. O Tocantins nasce entre os municípios goianos de Outo Verde de Goiás e Petrolina de Goiás. Ele também atravessa Tocantins, Maranhão e tem sua foz no Pará perto da capital Belém. O rio também pode ser chamado de Tocantins-Araguaia, por se encontrar com o rio Araguaia. Os dois cursos d’água também dão nome à Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia, que é a maior do Brasil em área de drenagem 100% em território nacional.  Por ser um rio interestadual, a gestão das águas do Tocantins é de responsabilidade da ANA.

 
Texto:Raylton Alves - ASCOM/ANA
Foto: Raylton Alves / Banco de Imagens ANA